sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Relato de Parto Domiciliar - visão do pai

Bom... enquanto não tomo vergonha na cara e volto a escrever no blog, segue o relato do nascimento do nosso filho feito pelo Zocão:

Espero que gostem! E que eu me anime a voltar a escrever e faça meu próprio relato!!! Detalhe que coloquei o relato exatamente como ele escreveu, ou seja, nossos nomes e da equipe estão todos aí!



Sempre quisemos ter nossos filhos através de parto “normal”. Sempre tivemos esta ideia.

Quando ficamos grávidos da nossa primeira filha, fizemos o básico: procuramos indicações de médicos que são a favor de parto “normal”. A gravidez transcorreu super bem e tínhamos certeza que seria tudo tranquilo para ter nossa filhota da fprma planejada. Com 39 semanas de gestação, após um exame feito pela médica, foi falado que teríamos que passar por uma cesárea. Ela nos deu alguns motivos e a gente, sempre pensando no bem dos nossos filhotes, aceitou: se é melhor para o bebê, que seja.

Lara veio linda e cheia de saúde Um parto, ou seria uma cirurgia?, muito rápido, bem frio, bem metódico, quase uma linha de produção, nos deu a coisa mais importante de nossas vidas e isso é o que nos importava. Passado algum tempo, minha esposa sempre falava que ficava triste por que não conseguimos o parto “normal” que tanto queríamos. Àss vezes, pensávamos que éramos até egoístas, enfim, nunca esqueceremos o dia em que foi falado que seria cesárea.
Tenho que admitir que, por várias vezes, me dava um sentimento de revolta em relação à médica que indicou a cesárea. Descobrimos que, na maioria esmagadora dos casos não tem a mínima necessidade, como deve ter sido o nosso caso. Você vai conversando com as pessoas e vai vendo que a maioria é como nós éramos, desprovidos de conhecimento em relação ao tema, literalmente ignorantes no assunto, e isto faz com que alguns médicos brinquem com nossas vidas e escolhas.
Na verdade eu acho que não deveria se usar o termo parto humanizado, pelo simples fato do parto ser um processo natural do corpo humano e quando isto não é respeitado é que ocorre a desumanização do parto.
O tempo passou e veio a segunda gravidez, só que desta vez tudo foi diferente. Minha esposa estava determinada. Ela começou a fazer várias pesquisas sobre partos “normais” e começou a enxergar o parto humanizado e, quanto mais se aprofundava no tema, mais se apaixonava, mais pesquisava e mais se empolgava, e eu como agente passivo naquela situação apenas indo junto com ela nessa viagem.
Ela encontrou uma médica totalmente voltada para partos humanizados, uma pessoa comprometida com o bem estar da mulher e do bebê e que realmente fazia aquilo que pregava - partos humanizados. Mas minha esposa não parou as pesquisas, ela começou a falar de parto domiciliar. O Quê? Como assim? Em casa? Como eu achava que era loucura, nem falei nada, a deixava pesquisar e falar.
Passavam os dias e ela começou a falar de encontros de pessoas que fizeram partos domiciliares, de profissionais chamadas Doulas e a ideia ia se fortalecendo. A conversa começou a ficar séria, até que, um dia, surgiu esse assunto na consulta com a obstetra e eu, de imediato, me coloquei contra. A partir deste momento, minha esposa começou a falar comigo dos nossos amigos de Brasília que haviam tido os dois filhos em casa, que eu deveria me informar, ler sobre o assunto, que muita coisa era mito e começou a me enviar vários textos sobre o tema. Comecei a ler algumas coisas e comecei a pensar sobre o assunto, até que comecei a achar que não era tanta doideira.
Por várias vezes, foi indicado para gente o filme/documentário brasileiro “O Renascimento do Parto”, e mais uma vez, nossos amigos de Brasília nos incentivaram mandando o DVD do filme pelo correio. Na boa, fiquei com vontade de chorar aqui agora escrevendo. Choramos juntos vendo o filme e, ao acabar, tivemos certeza que nosso filho iria nascer em casa Eu tinha certeza. Virei para Luísa e falei: “ele vai nascer em casa e na água”. Um mundo se abriu na minha frente e quanto mais informações buscávamos, mais tranquilos e certos ficávamos da nossa escolha, tínhamos certeza que era melhor para a mãe, para nosso filhote e para nossa família.
Bem, como passamos a ter certeza de que seria em casa, começamos a organizar tudo. Conversamos novamente com a obstetra, uma incentivadora empolgada pela nossa escolha, conversamos com a Doula Gisele e passamos a pesquisar a equipe que acompanharia o parto. Conversamos muito sobre as precauções que deveriam ser tomadas, materiais que deveriam ser comprados e como iria ser no dia. Fizemos praticamente todas as consultas juntos, tomamos decisões juntos, organizamos tudo juntos e realmente iríamos ter nosso filho juntos.
Eu sempre falava para Luísa que queria que Pedro nascesse no meu mês, pois Lara nasceu em 23/01 e Luísa 26/01. Só que tudo indicava que ele viria próximo ao dia 20/09 e eu falava: “poxa, vai ficar faltando tão pouco para outubro”, sou do dia 15/10...rsrs. Os dias foram passando, a barriga não tinha mais para onde crescer, foi chegando dia 20/09, passou do dia 21/09 e nada do Pedro querer sair. Luísa já não aguentava mais o barrigão...rsrsrs
O tempo foi passando e a Luísa teve em alguns dias “falsas” contrações, parece que é mais não é, rsrs, e não é que já era dia 30/09 e o mlk ainda estava na barrigona. Mas neste dia, pela manhã, ao levá-la para fazer acupuntura com o intuito de ajudar a iniciar o trabalho de parto, ela começou a falar que achava que seria neste dia.Mesmo papo de outros dias que eu já nem me empolgava tanto...rsrsrs. Chegando na acupuntura foi falado que ela não poderia fazer, que poderia não ser legal. Voltamos para casa e o dia transcorreu normal.
Por volta das 21h ela começou a achar que realmente Pedro viria e, com o passar do tempo, começou a ter certeza. Pegamos o telefone e já avisamos a Doula e a Enfermeira Obstétrica. A partir daí, começaria a experiência mais intensa, cansativa, maravilhosa e inexplicável que passaríamos. Quando eram umas 23h, todas as profissionais já estavam vindo para nossa casa. Ninguém sabia que estava começando, não avisamos para ninguém, era nosso momento, não queríamos ter que ficar atendendo telefone ou ter mais pessoas em nossa casa além das necessárias.
Luísa já sentia bem as dores e começava a ter noção de como seria, eu tentava ficar calmo e dar o maior suporte possível para ela. Nossa filha já estava dormindo desde as 21h, nos deixando mais tranquilos. Perto das 24h nós fomos para cama deitar um pouco para ver se a Luísa ficava em uma posição mais confortável e, 24h01min, a bolsa dela rompeu! Este momento foi engraçado, ela deu um pulo da cama igual um ninja falando que a bolsa tinha rompido. Cara, não caiu uma gota na cama..rsrs, e eu falei: “como você sabe?” e quando olho aquele monte de água saindo, pensei: ”ela sabe”.
Às 24h30min, a Doula e as Enfermeiras estavam na nossa casa, para nossa tranquilidade e, a partir do rompimento da bolsa, a coisa começou a esquentar. As enfermeiras só monitoravam o coração do Pedro para saber se estava tudo ok e não interferiam mais e a Doula ajudava, se requisitada, afinal, o parto era nosso, feito pela Luísa.
Foi a noite toda de muitas contrações, muitos gritos, interfone tocando para saber se estávamos bem, rs... Luísa se contorcia, ia para o chuveiro, para cama, para o vaso e eu fazendo as contagens das contrações, agachando junto com ela e tentando dar todo apoio necessário. Fiquei incrivelmente muito calmo, deve ser porque eu tinha certeza que ela iria conseguir, eu não tinha dúvidas.
Eu estava muito cansado e imaginava como ela estava, acho que eu dormia em todos intervalos de contrações, sendo que o maior de todos deve ter tido uns 3min...rsrsrs, mas quando ela falava que ia começar, eu imediatamente ia ficar junto dela. Por volta de umas 6h30min, entramos na banheira e fomos ficando... eu dentro da água com as costas na parede e ela dentro da água deitada em cima de mim com a cabeça meio que na minha barriga, apoiando os pés na outra parede. Não saímos mais desta posição, quando foi por volta das 7h, a Lara acordou, ficamos com muito medo de qual seria a reação dela, afinal, ela tinha menos de três anos. Luísa dava gritos no último volume possível, não sabíamos o que seria. Gisele, a Doula, foi ver a Lara, fez vitamina para ela, chamou para ver desenho e, quando a Luísa deu um de seus gritos e Lara perguntou o que era aquilo, Gisele falou que eram passarinhos e a Lara falou que parecia uma Leoa....rsrsrs. Em seguida, Lara foi para o banheiro e nos viu na água. Falamos para ela que o Pedrinho estava chegando, que a mamãe estava muito bem, feliz e que não gritava de dor.
Pedro nasceu às 8h52min, Lara acompanhou desde às 7h.Foram quase duas horas de muito amor, de cenas maravilhosas, carinhosas, instintivas e puras da Lara com a Luísa e o Pedro. Ela passava a mão na água e falava: “vem brincar comigo Pedrinho, a água está uma delícia”, fazia carinho na barriga da Luísa, buscava brinquedos na sala e trazia para o irmão, dentre outras coisas que foram tornando toda essa experiência como a mais maravilhosa possível, foi muito emocionante e lindo ver aquilo. Quando Luísa gritava, ela não se assustava e em seguida fazia carinho na barriga, tipo, vai ficar tudo bem mamãe. Com palavras não dá para descrever como foi para nós.
A Marcela, Enfermeira, mostrava a cabeça do Pedro saindo, ela olhava com maior naturalidade, coisa inexplicável, e quando Pedro nasceu, não sei nem o que escrever....veio um choro instantâneo em mim e na Luísa, uma emoção tão grande e incontrolável, um choro sem fim, a Lara falando feliz: “Pedrinho, Pedrinho”, querendo entrar na água. Ele, ali no nosso colo, se acalmando no corpo da mãe dele, tendo contato de verdade com sua mãe, aquela que depois de 9 meses de gestação ficou 9h tendo ele. Pedro se acalmou, parou de chorar, depois de um tempo nós também paramos e fomos para cama. Lara imediatamente deitou junto na cama, perto dele.Ela não tem a mínima noção de como elevou o nível de emoção ao máximo. Que carinhosa e companheira, ela, com seus 2 anos e 8 meses, foi.
Foram 9h de trabalho de parto, muitos gritos, muitas posições, muita cumplicidade, união, muito apoio e, principalmente, muito amor de uma mãe para trazer seu filhote ao mundo. Filhote esse que nasceu com 54cm e 3.670Kg, pequeno não..rsrs, e com um detalhe, nasceu dia 01/10 e o pai no dia 15/10! Temos mãe e filha com o mesmo signo e mês de nascimento e pai e filho com o mesmo signo e mês de nascimento. A natureza foi perfeita em tudo, eu faria tudo novamente e Luísa também, acho que nunca mais sentiremos uma coisa tão intensa e gostosa, acho que vivenciamos da forma mais pura e intensa o Amor.

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